PlayBack 2013

             O teatro playback (ou playback theatre como é conhecido mundialmente) é uma forma teatral em que um grupo de atores, com a mediação de um condutor, encena histórias contadas por pessoas da plateia. Numa apresentação como essa, a interação entre os performers (atores, músicos e condutor) e as pessoas da plateia é fundamental para a criação de um espaço onde as histórias pessoais possam ser improvisadas em cena.

             O teatro playback foi idealizado por Jonathan Fox e desenvolvido junto com sua mulher, Jo Salas, em 1975, nos Estados Unidos. A partir do primeiro grupo de teatro playback criado neste ano, vários outros surgiram nos anos subsequentes, sendo que atualmente, existem grupos e praticantes em mais de 30 países.

              Fox era um ator e professor entusiasta do teatro experimental e artes de vanguarda, voltando-se para as teorias de Artaud e Grotowski, além de fazer cursos com André Gregory e Richard Schechner, representantes desse movimento nos Estados Unidos. (FOX, 1999a, p. 14) Na universidade, havia estudado a tradição oral das sociedades pré-literárias. Outra experiência que considera importante foi viver por dois anos em uma pequena vila no Nepal, onde relata ter aprendido a lidar com o ritmo da natureza e a ter que se adaptar a situações diversas. Lá teve contato com um festival onde os próprios moradores eram os atores das representações dramáticas. Fox viu, nessa vila, um teatro inserido no ambiente comunitário feito pelos próprios cidadãos, bem diferente do ambiente artificial do teatro tradicional. (FRIEDLER, 2007) Essas experiências tiveram forte influência para a formulação do teatro playback.

             Em 1973, Jonathan Fox já trabalhava com um teatro sem roteiro, pessoal e informal, dirigindo vários tipos de grupos: crianças pequenas, pessoas com deficiência, idosos, moradores de rua. Acreditava num teatro imediato, que poderia acontecer em qualquer lugar e que pudesse ser dirigido para qualquer tipo de pessoa. Esse desejo foi concretizado com a criação de um grupo de teatro chamado It´s All Grace, que apresentava peças improvisadas em espaços abertos (outdoors settings). Jo Salas também já fazia parte desse grupo e de suas incursões no teatro experimental. (FOX, 1999a, p. 9)

         Ainda em 1973, Fox assistiu a um psicodrama liderado por Zerka Moreno (esposa de Moreno, criador do psicodrama) e conheceu também o Teatro da Espontaneidade. Ele ficou encantado com a proximidade, emoção e impacto que esta prática tinha sobre as pessoas, e iniciou sua formação em psicodrama. A ideia do teatro playback veio alguns meses depois desse contato. (FOX, 1999a, p. 10)

 No meu ponto de vista esse novo teatro playback, no qual as pessoas pudessem ver suas histórias representadas e compartilhar com seus vizinhos aspectos de seu cotidiano e preocupações profundas, era uma maneira de trazer formas antigas para o presente, apesar de que no lugar que sociedades tradicionais cantavam sobre Deuses e Heróis conhecidos e reverenciados por todo o clã, nós cantaríamos sobre nós mesmos, em toda a nossa cotidianidade. Minhas esperanças e convicções profundas eram de que nesse processo nós nos sentiríamos elevados, como se tivéssemos em contato com “os Deuses”, e no final uma comunidade dispare convergiria. (FOX, 2003, p. 2)

             Fox estava interessado, então, neste resgate de uma arte mais próxima da comunidade, tais como as histórias cantadas pelos poetas nas sociedades pré-literárias. Eram esses contos, que além de proporcionar entretenimento, tinham a principal função de manter e repassar os costumes e a história de um povo. Eram momentos em que a comunidade se reunia e construía seu saber coletivo.

            Na busca desses momentos de encontro comunitário através da arte, Fox encontrou a matéria-prima para o teatro playback: as histórias pessoais.  Através delas, as pessoas poderiam se reunir e resgatar algumas funções antigas do teatro: a de preservar suas memórias e manter a comunidade unida.

Sobre a Dionisos Teatro

          A Dionisos Teatro, companhia de repertório que em 2012 completou 15 anos de intensa atividade teatral e pesquisa estética ininterrupta. Tem sua sede em Joinville – SC e conta com um elenco fixo formado por Andréia Malena Rocha, Clarice Steil Siewert, Eduardo Campos e Vinícius Ferreira, além do diretor Silvestre Ferreira e de Manoella Carolina Rego por trás da cena.

           Em 2008, a Dionisos resolveu encarar o desafio de trabalhar com teatro playback. Sua linha de pesquisa nos espetáculos Entardecer e Migrantes tem sido o trabalho com memória, onde o grupo entrevista pessoas e monta a peça a partir de histórias reais. Dentro dessa linha, e a partir da pesquisa de Mestrado em Teatro da atriz Clarice Steil Siewert, a companhia iniciou o treinamento em teatro playback. Foram oficinas e workshops com profissionais como o prof. Antonio Vitorino Cardoso de Curitiba, Magda Miranda de São Paulo, Rea Dennis da Austrália e Paulien Haakma da Holanda. Em 2011 o grupo também participou da 10ª. Conferência Internacional de Teatro Playback em Frankfurt – Alemanha.

       O grupo já realizou diversas temporadas de apresentações de teatro playback para público aberto em Joinville – SC, além de apresentações nos mais diversos espaços, tais como escolas, empresas e comunidades.

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